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#35

outubro 21, 2009

as declarações
em pouco tempo, parecia que todas as coisas que haviam para serem ditas, haviam sido ditas. em pouco tempo, todos os tipos de abraços haviam sido testados, todos os úmidos beijos haviam sido dados, todas as palavras haviam sido escritas. embora o abraço ainda se encaixasse da mesma forma, os braços dele sobre a sua cintura, o peito encostado e sendo acalmado; embora o cheiro de homem exalasse do pescoço dele da mesma forma que antes e a fizesse perder todos os outros sentidos; embora ainda existisse o desejo de um mundo apenas com os dois e sem relógio e sem gente alguma e sem compromissos; embora os filmes ainda a fizessem lembrar dele; embora as músicas ainda os aproximassem nas noites vazias; embora os dois se amassem cada dia mais, cada vez mais para sempre – embora tudo fosse igual ou melhor, nada mais se dizia.

a carta

por três vezes ela havia começado outra carta. por três vezes se encheu de incertezas e perdeu o que existia para ser dito. deixou os textos de lado e foi dormir. porque ela era assim, desde antes, desde sempre: se estava insegura ou com medo ou com dores tão grandes e tão grandes que ninguém nunca poderia compreender, ela ia dormir.

o mundo

o mundo é cruel com quem se apaixona. o mundo não ajuda com dias ensolarados para passeios no parque, ou com dinheiro brotando nos bolsos dos casacos, ou com pessoas que nos desejam bom dia no café da manhã. o mundo nos traz preocupações, medo, insegurança. nos traz caras feias e palavras duras que viram manhãs feias e dias duros e noites insuportáveis. o mundo nos testa 24 horas – nos testa até nos sonhos durante a noite. e às vezes o que o mundo desconta na gente, nós descontamos em por quem nos apaixonamos.

o início da quarta carta

naquela tarde, ele disse “vai logo pra casa, chega antes das 18:30h, que a gente dá um jeito de se falar”. ele prometeu que mesmo estando no trabalho até tarde, eles conversariam. e ela foi, ela correu, e chegou 18:20h, louca pra ligar pra ser ouvida pra conversar pra matar a saudade daqueles 30 minutos no ônibus sem ele. mas ele parecia ocupado demais pra isso. e ela não pôde nem sentir raiva ou querer culpá-lo, porque sabia que não havia culpados. ele não era culpado por estar trabalhando, por não ter tempo pra conversas bobas de namorados (embora, sim, merecesse ser culpado por iludí-la de uma forma tão simples e linda e cheia de esperanças e promessas. porque ele não tinha o direito de ter tanta irresponsabilidade pra achar que vai para o trabalho a ainda assim vai conseguir dar atenção a ela. porque ela já era irresponsável demais e ele tinha que ser responsável pelos dois e ponto final). então ela percebeu que o que ele havia dito no telefonema da noite anterior era verdade: os dois estavam se distanciando.

idéias tolas

ela, criança que era, pensava que depois dos 18 anos teria mais liberdade, mais vida. ela, tola que era, lembrava que chegou a achar que o fato de ter 18 anos não a impediria de tê-lo e vê-lo o quanto quisesse. porque, afinal, os pais não teriam mais espaço em suas decisões. mas foi burrisse, foi loucura, foi, como sempre, infantilidade. porque quando se é adulto, não se é proibido de nada – mas se têm responsabilidades. quando se é adulto, não os pais mas as contas e o trabalho vêm e dizem “não, agora não. tá proibido, a diversão é pra depois”. mas, meu deus do céu, depois a gente precisa dormir e estudar e não dá tempo pro amor, não dá tempo!

quando se é adulto o mundo vem e te atrapalha nos sonhos.

apenas idéias

mas, afinal de contas, isso não pode ser tão ruim. porque há adultos que trabalham e casam e criam filhos e varrem a sala e compram televisões enormes – e são felizes. há adultos que trabalham e beijam seus parceiros ao final da noite, sem terem um ataque de saudade ou tristeza porque passaram a tarde ou a noite sem se verem. há adultos que amam e são amados e nem por isso largam todo o resto e fogem com seus amores pra uma ilha deserta. porque deve, sim, haver um jeito de conciliar essas coisas.

talvez exigindo menos do mundo…

bem, há os finais de semana. e sem o trabalho dos dois certamente os finais de semana teriam menos recursos. mas, ah, é tão mais complicado que isso. porque os finais de semana são esperados com tanta ansiedade que é inevitável que se estraguem por si só. às vezes quando o desespero ou a insegurança (como saber qual chega primeiro?) toma conta dos dois, surgem as cobranças e as lágrimas. em algumas vezes – e não, na realidade não foram poucas! – parecia que tudo entre eles ia simplesmente desaparecer: os beijos, os abraços, as risadas, as noites, as cócegas no cozinha, as massagens no sofá da sala. parecia que o mundo ficava frio e “você sabe que se eu for não volto mais” ecoava no fim da tarde e um “me larga, eu vou pra casa” era ouvido aos berros às 3 horas da manhã.

mas eles se amavam tanto. e, por favor me diz, como não morrer de amor?

mas eles se amavam tanto que eu acho que, quando brigavam, não era justo culpar um dos dois. porque eles brigavam pela simples vontade de se saberem. eles brigavam e choravam e diziam coisas que não se quer dizer quando se está calmo, porque só queriam se entender.

quando se ama, fazemos coisas estúpidas pra entender o outro. nos desesperamos e queremos a compreensão, então fazemos coisas que não devíamos e nos arrependemos mas aí já é tarde demais. é tarde porque já estragamos tudo, e tudo que já está estragado vai ficar guardado bem lá no fundo, pra voltar e virar argumentos de novas brigas ou, pior, pra virar textos idiotas em momentos inapropriados.
mas a gente só deseja – e bem do fundo do coração – entender um ao outro. porque entedê-lo significa uma possibilidade de saber o que o faz feliz, significa estar mais próximo. a realidade é que ninguém entende ninguém, e por isso entender o outro significa ser… ser o que nenhuma outra pessoa é.

e agora.

ela só quer dormir. e acordar amanhã e ligar pra ele e dizer “obrigada pelos lindos 7 meses que tivemos juntos”. e ouvir uma risada doce e sua voz de quem acabou de acordar dizer “vai dar tudo certo, amor… vai dar tudo certo.”

8 comentários

  1. Andressa…, minha doce e linda amiga…!!
    Você me comoveu com esse seu texto… Eu me vejo em cada linha sua, mas não como hoje eu sou, como quando eu tinha a sua idade… Sou capaz de me ver em você quase sempre em meio aos seus textos, principalmente neste, agora. Pois o amor me custou para ser compreendido…

    Deixa eu lhe dizer uma coisa, o seu amor irá de encontro a um amor compatível ao seu, quando dúvidas alguma estiver em você, quando deixar de ser ansiosa, quando não se interessar mais em entender o outro, apenas aceitar como ele é, quando não se importar em pensar nas respostas até que ele as dê (não impede de as cobrar numa hora apropriada), enfim, você estando tranquila, bem resolvida, vai poder sentir qual irá lhe fazer feliz, sem sofrimentos… Pode ter certeza disso…!!

    Você deve estar perguntando, então, o que venha a ser aquele meu post?! Concordo com você, faria o mesmo, em seu lugar… Andressa, eu sinto que a pessoa certa esteja se aproximando de mim, contudo, confesso, que há dias em que, cansada, me pego cobrando para que ele chegue logo… São aqueles dias de recaída em que gostaria de um colo… Fico até brava e egocêntrica, xingando sozinha ele próprio, rs (quem eu desejo). Contudo, já no dia seguinte, volto ao normal, me dedicando aos meus diversos afazeres, voltando a deixar o barco seguir tranquilo… Tenho certeza de que a hora virá… De que vai dar certo… Mas como foram anos de espera, há dias em que não suporto…

    Beijos se consegui lhe dar uma luz…, vou me sentir feliz por isso. Você é muito madura e será uma mulher bem resolvida e, por tais motivos, será feliz com o par certo… Poderá demorar um pouco, poderá ainda se relacionar com outro e se enganar, mas vai acertar… Poderá até ser esse mesmo, mas não creio que agora… O tempo vai lhe apontar…
    Até breve, minha querida menina moça,
    Ana Lúcia.


  2. Em tempo: se é que se pode compreender o amor… Penso que ele está dentro nós desde o nosso nascimento e precisa ser lapidado apenas… Já quanto ao parceiro, se for de sua vontade, vai surgir o ideal.
    O amor aparece claro, quando aceitamos como somos, na paz.


  3. Menina, que texto lindissimo! Se doeu quando você estava escrevendo, doeu em mim também; se te fez pensar em coisas bonitas, me fez lembrar que eu também passei lindos momentos há alguns meses. Não quero te iludir e dizer que o tempo cura; o tempo não cura nada! O tempo só joga um paninho fino em cima das lembranças. Só posso te prometer, e prometo com toda a verdade do mundo, que isso tudo um dia começará a fazer sentido e você vai se perceber dentro da situação de uma outra forma. E vai sorrir de novo!

    Todo o amor do mundo pra você, pequenina! Estou sempre no msn, qualquer coisa é só chamar que eu respondo na hora, eu juro.
    Cuide-se, tá!


  4. Espero que esteja tudo bem com você…
    Beijos,


  5. Lindo texto.
    Espero que esteja tudo certo ;)
    Beijo


  6. Andressa,
    Tem um meme prá você, lá em meu blog….
    Beijos,


  7. Andressa,
    Tem um meme prá você, lá em meu blog…
    Beijos,


  8. Guria, vc tá escrevendo cada vez melhor, sério!
    E tudo parece tãaao sincero!
    Espero que esteja feliz, mesmo com tudo isso que vc escreveeu…

    E ahhh, achei fotos suas no flickr da Claudia Regina, vc tá muuito linda!!!!

    Se cuuuida!
    Beeeijo



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