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#31

junho 28, 2009

carta aos meus.

amigos, família,

gostaria de poder escrever mais. acontece que ando ocupada como nunca antes. gostaria de ter escrito com antecedência para contar-lhes o que vem acontecendo na minha vida. como tudo de repente pareceu encher de cor e vida e sons.
há três meses ele entrou. há três meses ele começou a tomar conta de tudo e trazer consigo uma paz que até então eu desconhecia. ontem, por exemplo, foi um dos dias mais saborosos, foi o dia que salvou essa semana que fora um tédio estressante e chato. ontem sentamos no sofá logo pela manhã e tivemos uma overdose de star wars. edredon, colo e star wars. gosto da forma como ele traz seu mundo aqui. eu nunca tinha assistido star wars. ele devia saber tudo decor. temos gostos tão diferentes. se eu não tivesse visto com ele, se eu não o conhecesse, provavelmente não aguentaria nem o primeiro episódio. mas assistir pensando que ele gosta tanto é diferente. eu olho com atenção cada detalhe, pensando por que ele gosta tanto, tentando desvendar cada mistério da história – e dele. como se, assistindo o filme que ele tanto gosta, eu pudesse descobrí-lo.
ele é um chato. fica chateado achando que eu não gosto das coisas ou que tudo ali é um tédio. talvez eu realmente dê a entender isso. mas é que temos formas diferentes de aproveitar um filme. ele, quando se empolga, fala, me explica, quer saber se eu entendi. mas vocês sabem que eu, quando me empolgo, entro em estado de instrospecção. eu tento curtir ao máximo, sozinha, em silêncio, isso que me faz bem. não gosto quando ele fica chateado achando que eu não gostei e que aquilo que o deixa excitado não me deixa também. eu não sei como demonstrar que já gosto antes mesmo de ver, só porque é algo que vem dele. não sei. só sei sentir.
depois fomos para a cozinha e fizemos mousse de limão. ele quer sempre mandar em tudo, fazer as coisas sempre do seu próprio jeito. “vai espremendo o limão“. não! é do meu jeito, porque o meu jeito é o melhor! e eu grito “você espreme e eu vou colocando o creme e o leite condensado no liquidificador!“. e daí ele me imita dizendo “você-não-me-maaanda!” como uma criança. e eu sorrio porque ele é a melhor coisa que aconteceu na minha vida em muito tempo.
mais a noite experimentamos o doce e tinha ficado uma delícia. mas queria que ele estivesse aqui hoje de manhã pra ter comido comigo de novo. hoje está bem melhor. parece o mousse daquelas tortas de confeitaria.

nós somos realmente bons juntos.

depois fizemos pipoca. e como eu me irrito com ele comendo de boca aberta. realmente me irrito. não consigo prestar atenção no filme com aquele barulho de pipoca quebrando nos dentes. mas eu não falo nada. porque ele está ali e não dá pra ficar irritada por muito tempo mesmo. mais tarde comemos pão de queijo e nos jogamos no sofá reclamando de estarmos cheios, estourando, explodindo. rindo. depois jogamos banco imobiliário, e ele sempre com aquele ar superior. ele sempre ganhando, sempre mais esperto. sempre lindo.
no fim da noite, ele disse “queria que você sentisse como me faz bem. queria que eu te fizesse tão bem quanto você me faz“. me deu vontade de bater nele. como pode ser tão perfeito, tão inteligente, tão esperto jogando banco imobiliário. mas não conseguir enxergar o que é que ele causa em mim? como pode não perceber que há uma explosão aqui dentro, uma coisa que vai além de felicidiade, uma vontade de viver e lutar pelas coisas e estar sempre junto e gritar e pular com as pantufas que ele me deu.
eu gosto de acordá-lo pela manhã, pulando sobre ele e fazendo escândalo. gosto de pensar que fui a primeira que ele viu ao acordar, a primeira que lhe disse “bom dia!” e a primeira sortuda que viu seu primeiro sorriso do dia. gosto quando ele fecha os olhos de novo, puxa o edredon e diz “vem aqui embaixo“. gosto que ele use minhas pantufas. gosto do fato de ele ter sua própria xícara aqui em casa. gosto de pensar que aos poucos ele está tomando conta do meu mundo. vindo cada vez mais. entrando cada vez mais fundo. me transformando, me reconstruindo.
me desculpem pela falta, pela demora ao enviar notícias. é que estou tão bem, tão feliz e completa, que não me resta muito tempo para as outras coisas.

até outro dia – quando meu amor permitir,
quando ele não roubar as maravilhosas 24 horas do meu dia me fazendo sorrir.

com carinho,
a.r.

6 comentários

  1. Não sou ‘dos seus’, família ou amigos.

    Mas tenho fuçado por aqui há um tempo e achei linda a maneira como vc descreve o amor pq te entendo.
    As vezes, as pessoas não sabem o efeito que causam sobre nós… principalmente quando esse efeito é tão intenso que dá vontade de gritar pra todo mundo saber dele.

    Parabéns pelo texto, muito, muito lindo.

    :)
    Beijos!


  2. Parabéns pelo blog e principalmente parabéns pelo seu grande amor… Espero que seja muito feliz…

    Abraços


  3. seus textos me fazer arrepiar, dona andressa. acho tão bonito. você tem as palavras do seu lado, caminhando sempre juntas, né?
    lindo!
    beijos.


  4. gostei :)

    ps.: também estou lendo A maça no escuro ;)

    bjo


  5. Que gostoso foi ler essa carta onde o amor é descontraído, leve e solto… Cumplicidade no amor, eis a diferença, eis amor de verdade…
    Beijos,
    Ana Lúcia.
    PS: Estou no Coletivo. Ficarei feliz se passar lá em meu blog para tomar um café e ler a minha carta.


  6. O amor pode ser gostoso como este, cheio de risos e brincadeira e paixão.`
    É preciso cuidado para que os buracos negros da relação( aqueles pontos obscuros) não cresçam e destruam essa cumplicidade, este estar á vontade com o outro.
    A carta esta muito gostosa e bonita
    abraços



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