
#27
abril 5, 2009eu vou te dizer tudo o que você queria que eu dissesse, mas não dessa maneira normal como fariam os 6,8 bilhões de habitantes do planeta. não, porque eu não sou nem um pouco igual a eles, porque eles não são nem um pouco de mim. mas também por uma fraqueza anormal e dilacerante que é mais um medo de não ser correspondida ou entendida ou ser ridícula como fui 99,9% das vezes. eu vou te dizer como você mexe comigo sem saber – ou sabe, o que se torna ainda um medo maior porque saber é manipular. você sabe ou não sabe como você me faz tremer de medo e te procurar por todo lado, porque é sim um medo estranho e diferente que alivia outro – o medo de te ter vindo cada vez mais perto do coração, o medo de que você se torne cada vez mais uma necessidade, um sem limite aqui dentro e que vá tomando conta arrastando destruindo levando o que resta. e que quando você me abraça eu sinto que poderia parar o mundo ali porque ele cura tudo. é um abraço que encaixa certinho, meu queixo sobre seu ombro, meus braços que te agarram, os teus que me abraçam nas curvas e meu peito que encosta no seu e se acalma. baby e quando você me elogia você sabe que eu fico feliz mas não sabe que na maioria das vezes eu penso o quanto isso é recíproco, o quanto todos os elogios cabem em você também. e me odeio porque minha boca só se abre pra sorrir mas não serve pra te dizer o quanto são importante todos os momentos, embora sejam poucos, que já estivemos juntos. e que você não é nenhum galã de cinema, se acha mais inteligente que todo mundo, é chato, me obriga a fazer coisas que eu não quero e reclama de tudo, mas que mesmo assim eu gosto do jeito que você sorri e fecha os olhos quando eu coloco as mãos nos seus cabelos, e até a forma como você tenta ser cavalheiro e me paga um churros ou suco de fruta de verdade. o negócio se complica aqui porque normalmente eu não aturaria defeitos, normalmente eu começo a gostar e depois de um tempo eu vejo os defeitos e começo a odiar. em você eu vi os defeitos e depois as coisas boas e depois ficou tudo tão harmonioso e fácil de conviver que começou a dar medo.
eu odeio muito a forma como você parece ser indiferente às coisas que acontecem comigo ao mesmo tempo que diz que se importa com tudo. mas quer saber eu também nem me importo porque começo a nem pensar mais no que pode acontecer comigo e sim no que pode estar havendo com você. porque eu sei que existem pessoas meio que atrapalhando e que você também pode estar sentindo um pouco de medo. mas porque diabos eu me preocupo com isso, já que eu falei pra gente ir levando de uma maneira leve? é isso que é inexplicável, baby, que ocorre sem que eu pense antes ou me auto censure para não falar ou agir. é como o ciúmes que ocorre sem que a gente queira, e que vem ocorrendo com freqüência, sabe. é que parece que com você o negócio já tomou proporções tão grandes – e boas – que não tem como te sentir sem levar certas coisas a sério.
mas vamos supor que isso nem seja importante, que apenas eu esteja levando a sério sem querer, que apenas eu perca um pedaço da minha vida pra escrever sobre algo que nem bem começou. vamos supor que eu seja meio louca ou burra ou apaixonada. com todas essas coisas eu não consigo, ainda, dizer nem metade. é que uma parte de mim se segura pra não ser tão escancarada e se guarda. é que uma parte de mim tem medo – olha, outro! – de estar errada. vai que você nem é tudo isso, né. você quer saber a primeira impressão que eu tive de ti? eu lembro da gente e mais um pessoal conversando e você dizendo que o carnaval seria muito legal, que você ia pra uma cidade pequena e que uma guria te esperava lá. eu pensei “mais um no meio dos 6,8 bilhões”. mas daí você veio como quem não queria nada, voltou do carnaval me olhando diferente – eu sei que no início você me achava uma chata, uma metida à culta mas eu nem sou. eu sou bem burra. enfim, você veio diferente, a gente começou a se olhar diferente, a falar diferente. daí nós saímos e conversamos e você nem era mais um no meio dos bilhões. você era mais um no meio dos raros que eu presto atenção.
mas vai que eu tô errada de novo, né? já errei tantas vezes.
eu gosto da tua boca.
Andressa Rodrigues


menina, quanta coisa linda você escreveu. arrepiei. achei lindo.
cuida do seu coração, viu?
mil beijos, flor
ps: eu também sou burra!
[...] visitantes acabam chegando por aqui. Numa dessas, de clicar no site que me linkou, descobri que um texto meu vem sendo publicado por aí. O problema não é nem a falta da minha autorização para isso. O [...]
[...] visitantes acabam chegando por aqui. Numa dessas, de clicar no site que me linkou, descobri que um texto meu vem sendo publicado por aí. O problema não é nem a falta da minha autorização para isso. O [...]
que linda carta de amor… adorei! tão sincera.
Essa blogagem coletiva nos leva a blogs interessantes e o seu é um deles. Adorei sua carta, tao completa, cheia de vida, de poesia, de amor, que é
um sentimento universal e porisso fica fácil entender o que voce expressa, o que pede, o que declara, o que reclama! Bacana, gostei muito,Andressa.
Abraços
Sim, essa é a expressão: “cheia de vida”. É um texto cheio da mais intensa vontade de viver até a última gota. Adorei. Muito obrigado pela participação e vamos torcer para que na próxima blogagem o plágio não se repita.
Muito lindo o que escreveu, me emocionou.
Beijos!
Simplesmente incriveeeeeeeeel, pow tu escreve beem demais.